terça-feira, 14 de setembro de 2010

Sem sentido, mas muito sentido.

Tenho saudade dos teus palpites, que só por serem teus, das duas uma: ou deixam de ser palpites e passam a chamar-se ideias brilhantes, ou continuam a ser palpites mas sem a carga negativa que eu própria guardo na palavra (como se um palpite fosse algo que não tivesse sido pedido, e portanto inconveniente). Porque tu nunca dás palpites, nunca és inconveniente. Tu sempre me deste conselhos, opiniões, mostraste os teus gostos, repito, nunca palpites. Dizes-me o que pensas e sei no fundo do meu coração que nunca dirás algo que não sintas. É por isso que mais do que noutra fase, tenho sentido a tua falta. Careço de alguém que me diga sem papas na língua o que acha disto ou daquilo. Porque comigo sempre foste sincera, mesmo que achasses que eu não era da mesma opinião.
E porque hoje, mais do que nos outros dias sinto que me dão palpites. Não me ouvem. Eu falo que não gosto de uma coisa, e as pessoas insistem, não são como tu, que sabias falar comigo, que  quando não gostas do mesmo que eu, insistes, sem insistires. Quase de certeza que o problema é meu, eu é que sou esquisita. Mas tu conscientemente ou não, tinhas um jeito especial para falares comigo, para me mostrares as coisas. Eu nunca me sentia mal a teu lado, mesmo quando percebia que tinhas uma ideia melhor que a minha, ou um gosto mais requintado que o meu. Ou mesmo quando só quando dizias que gostavas de determinada peça é que eu reparava nela, nunca me fizeste sentir que fosse macaca de imitação.
E agora estás longe. E eu só queria ter-te aqui todos os dias e contar-te como estes preparativos me esgotam, como ninguém tem os mesmos gostos que eu, como ninguém me sabe mostrar como tu a beleza de certas coisas.
Tu nunca me deste palpites. E estás sempre aí.

E depois de tantas palavras eu já não sei se queria só dizer isto, ou se é mais importante dizer que queria beber chá e comer bolachas contigo.

5 comentários:

margarida disse...

Sou eu?

margarida disse...

Assim até fico emocionada (fiquei logo assim que li, só perguntei porque podia não ser).
Não me revejo nos gostos requintados, mas compreendo o que queres dizer, tu achas que são requintados porque são diferentes dos teus, só isso.
Conta-me tudo, desabafa tudo, eu gosto de ler/ouvir e escrever/responder.
Sabes, tu achas que eu sou tão especial mas passei o mês de Dezembro a queixar-me no msm e tu sempre tiveste paciência. E para ser sincera até me disseste o que eu não queria ouvir, mas era a mais pura das verdades.
Um abraço apertado.

M. disse...

Já vi amizade manifestada de muitas formas... mas esta forma, encheu-me o olho!

paula disse...

que lindo! =)

parabéns às duas, por manterem algo tão bonito. é muito raro.

beijo

José Sousa disse...

Tenho lido o seu blog mas só hoje tive um pouco de tempo para comentar. Siga em frente, o seu blog é lindo e tem temas interessantes. Tenho andado muito atarefado, mas de hoje em diante já terei mais tempo para os meus amigos da blogosfera.
Vá até aos meus e deixe seus comentários
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Com um abração