Quando é para escrever um relatório, um documento, um texto científico, eu aprumo, empenho-me e, pelo menos na minha opinião, sai algo bem feito, completamente adequado ao seu fim.
Quando escrevo no blogue sou uma desleixada. Mas não consigo ser de outra maneira. Se tentar melhorar o que escrevo, não fica bem como vejo noutros sitios. Tenho, inclusivé, vergonha da minha maneira de me expressar quando leio blogues alheios, que dá gosto ler. Ou porque nos rimos com o sarcasmo, com as ironias, ou simplesmente porque a pessoa tem um estilo elegante no modo como exprime sentimentos "banais" como tristeza, alegria, saudade, raiva, etc. Escreve de um modo tão bonito que dá, efectivamente, vontade de ler. A pessoa cativa naturalmente. Ora, eu cá não tenho isso. Escrevo o que me vai na alma, não faço revisões aos textos, e depois é como se tivesse "jeito" para escrever coisas formais, e não tivesse para exprimir os meus sentimentos.
E pronto, é por isso (e falta de tempo) que deixei de escrever. Mas sinto falta. Sinto falta de gritar assim palavras soltas para a internet, que no fundo é como chegar a uma janela e gritar bem alto por socorro, ou a dar graças, e só ouve quem passa. Se passar. A desconhecidos. Sem julgamentos. Sem pensarem que estamos a falar deles. Simplesmente falar. Cuspir as mágoas, gritar as alegrias. Desabafar.
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