sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Não entendo e acho que nunca entenderei.

Porque é que há pessoas que acham que por uma pessoa ser velha se ela morrer não dói tanto?
Porque é que há muita gente que pensa que por uma pessoa estar muito doente se ela morrer não dói muito?

E as duas coisas conjugadas então? Uma pessoa mais velha e doente? ui, começam logo com a conversa de que temos de estar preparados, de que é o previsto e de que ninguém fica cá eternamente, que a vida é mesmo assim... Mas expliquem-me, como é possível alguém estar preparado para a morte de alguém que amamos?

Eu entendo que quando morre uma pessoa que não conheço, novo ou velha, doente ou não, não me custa assim muito. Posso pensar no assunto algum tempo ou pelo modo trágico como morreu, ou pelas circunstâncias... Mas não vou ser hipócrita, não me dói cá dentro, aquela dor verdadeira que nos rasga as entranhas. Não.

Com alguém que amamos e que nos ama, é criado um vínculo invisível. Se essa pessoa parte é como se algo dentro de nós morresse também. Não interessa a idade ou a saúde dessa pessoa. E aquelas frases feitas não ajudam ninguém. É preferível o silêncio, ou apenas um "estou aqui".


Isto é FELIZMENTE apenas uma reflexão, completamente hipotética.

1 comentário:

Margarida Laranja disse...

Olá!

Parece quer adivinhas o que se passa comigo...

O meu avô, de 83 anos, morreu a semana passada e a sua saúde desde há uns dois anos não era a melhor (embora não tenha morrido dos problemas já diagnosticados, mas sim de um novo).

Os meus amigos apoiaram-me! Fizeram silêncio, abraçaram-me ou disseram, simplesmente, "estou aqui para o que precisares". Mas ainda assim tive que ouvir de pessoas mais velhas, algumas que mal conheço, coisas mesmo parvas... Uma pessoa até me disse "Deixa lá isso, ainda vem pior! Agora foi o teu avô, depois vai a tua avó, depois é a tua mãe. Quando fores tu é que vai ser pior para ti..." Eu nem quis acreditar no que estava a ouvir...

Concordo contigo, dói sempre e muito, quando gostamos mesmo das pessoas e temos uma ligação forte... Não interessa a idade nem a doença...

Abraço!