Muito bem que os anos da universidade foram óptimos. Houveram amizades fantásticas, que ainda hoje mantenho. Houveram festas, loucuras, cafés, muito estudo, muito stress, muita alegria, muita inocência, muita aprendizagem, muita busca pessoal, muito crescimento à força, muito crescer a bem. Houve muito mais coisas boas que más. Aliás, como as más eram praticamente as injustiças que se lavraram por aqueles lados, que o tempo atenua a raiva que na altura produziram.
Mas mesmo com taaaaaaanta lembrança feliz, apelidar desses anos os melhores anos da minha vida, muito sinceramente, parece-me deprimente. Credo! Então isso significa que depois disto não há mais nada? Tipo, estão a imaginar NADA?
A época universitária teve muitos momentos extraordinários, únicos e que nunca mais na vida se repetirão. Valeu a pena pelo que aprendi como pessoa, e pelas amizades verdadeiras que fiz. Mas não gosto da frase "foi a altura mais feliz da minha vida". Mesmo que não concordem com o que digo, tentem seguir o meu raciocínio: tenho vinte e poucos anos, se a universidade foi a altura mais feliz da minha vida, então o que vou fazer com o meio século que espero ainda ter pela frente?
Há uns meses atrás uma alminha deprimente também me disse algo do género mas em relação ao casamento. Disse-me algo como: "aproveita muito bem o dia do teu casamento porque vai ser o dia mais feliz da tua vida toda. Depois daí, nunca mais nada será igual, nunca mais haverá aquela magia do amor no ar."
A sério minha gente? É mesmo isso que toda a gente pensa? Quando somos estudantes é que é fixe e depois de casar é tudo a decair? Oh meu Deus, assim a vida não tem graça. Raios e coriscos, virem essas bocas para lá, ide pregar para outra freguesia.
Eu cá respiro energia positiva: os tempos da universidade de zero a vinte foram vinte e um, mas já passaram. Desconfio que se voltasse à universidade seria uma experiência penosa, ou no mínimo secante. As pessoas que gosto já não estão lá. A minha idade já não é a mesma. As minhas ambições já são outras. Já passou o meu tempo disso. Fui feliz, agora busco outras formas de felicidade.
Quero ser feliz no dia do meu casamento. Quero ser feliz quando ganhar o meu primeiro salário em condições. Quero ser feliz quando tiver uma casa e puder convidar as minhas amigas para virem lá. Quero ser feliz na minha lua de mel. Quero ser feliz a vida toda ao lado do homem que escolhi. Quero ser feliz quando tiver filhos. Caraças, eu quero ser feliz a vida toda, e quero fazer felizes todos os que me rodeiam. E quero ainda que cada felicidade que vá vivendo seja superior à anterior. Que todos os momentos deixem saudades, mas que haja sempre uma felicidade ainda maior ali à espreita, na próxima esquina.
Que em tempo algum eu esteja tão miserável e tão sem esperança que pense "dava um ano da minha vida para voltar a um dia de estudante".
2 comentários:
Engraçado, essa da inocência faz-me lembrar o comentário duma colega comum no facebook.. Inocência? Eu acho que na universidade é que a inocência se perdeu. Não foram, de todo, de maneira alguma, os anos mais felizes da minha vida. Tive fases mesmo muito boas e felizes, mas fases más em igual medida e proporção.
Além disso, adoro dormir e se bem que levantar às 6:30 da manhã custa quase todos os dias, não ter que fazer serão até à 1 ou 2 da manhã como na faculdade é uma felicidade imensa.
Beijinhos
Quando falei na inocÊncia, falava na minha... De achar que toda a gente era boazinha, de ver o melhor dos outros.
E não no sentido que essa nossa colega se referia.
Fiquei sem perceber se concordas cmg ou não.
Mas não achas um exagero achar que foram os melhoooooores anos das nossas vidas? É que sempre que digo que espero mais da vida do que aquilo sou sempre mal interpretada. Até parece que não fui feliz naquela altura... É que fui, mas tb houve alturas menos boas. E mais importante, também sou feliz agora. É uma felicidade diferente, mas sou feliz, e quase que me arriscava a dizer que um bocadinho mais...
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