quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Não é fácil falar disto às pessoas.

A sorte é que aqui ninguém me conhece. Pronto, com excepção de uma pessoa, mas no fim deixo recado.

Começamos a pensar em casamento muito cedo. Sempre gostamos tanto um do outro, sempre ultrapassamos todas as dificuldades, e sempre levamos tanto a sério esta relação, porque não assumir perante todos, na lei e perante Deus? Nunca nos fez confusão. Mas apesar de sermos muito jovens e meios loucos por já pensarmos nessas coisas, sempre tivemos os pés assentes na terra. Não são tudo rosas, e era preciso fazer as coisas ajuizadamente, quando fosse o momento certo. O momento certo dependeu para nós sempre de três coisas: 1.º haver amor e vontade, 2.º ser na altura certa das nossas vidas, 3.º ter algum dinheiro para poder fazer uma festinha. Haver amor, sempre houve. A vontade foi crescendo ao longo dos anos. Quanto a altura certa, eu nunca quis casar e ainda não estar a trabalhar, agora que já estou, essa condição já está superada (ele é mais velho já trabalha há mais tempo que eu). O dinheiro para o casório fomos juntando. 

Faltava o pedido. Ele fez-me uma belíssima surpresa quando viu que tínhamos todos os "requisitos" preenchidos e quando viu que tínhamos algum fundo de maneio financeiro. Que vamos deixar de ter, obviamente. Com tanta despesa... Mas de modo algum queríamos fazer como alguns amigos que conhecemos, que casaram sem terem como, a contar que as prendas cobrissem as despesas.

Dizem que o planeamento de um casamento é uma dor de cabeça. Não tem sido. (Se calhar o pior está para vir, não sei).
Confesso que foi complicado escolher o vestido entre tantos, mas também foi muito divertido. Também já aqui falei na entrega dos convites. Eu ia completamente receosa, toda a gente sem excepção diz que é a pior parte de tudo. Bem, até agora: sem grandes queixas. É bom revêr pessoas, é bom conversar com elas. É um bocadinho chato quando é da parte do noivo e não conheço muito bem. Também é um bocadinho chato quando já não há assunto. Era bom conseguir entregar mais convites num dia só. Porque a única coisa má até agora é ver todos os minutos livres de um fim de semana ou feriado a serem gastos assim. Porque se é bom estar com quem gostamos, também sabe bem no fim de uma semana de trabalho descansar, ficar um bocadinho em casa. Mas não... Não pode ser, temos de sair, de manhã à noite para entregar  todos os convites o mais rápido possível. De resto não tem havido grandes constrangimentos porque resolvemos só convidar quem gostamos e temos mesmo muita afinidade, e no geral não há cá aquela coisa de convidar a prima da prima só porque ela convidou, ou porque parece mal, ou porque a mãe ou pai querem que convidemos; somos nós que pagamos o casamento, somos nós que fazemos as regras.

Agora uma coisa que me tem deixado sim bastante embaraçada e sem saber que responder é quando as pessoas falam de prendas. O que queremos. O que precisamos. Listas de casamento.

Em primeiro lugar para os meus lados não existe tradição de listas de casamento. Por outro lado ia ser muito difícil fazer uma lista e se lerem até ao fim o meu testamento perceberão porquê.

Em segundo lugar não me sinto nada à vontade de impôr nada a ninguém. Fizemos questão de convidar só quem gostamos; o "tio" ou a "prima" com quem não falamos há mais de dois anos não vão ser convidados só porque sabíamos que esses iam dar prendas chorudas ou porque parecia mal não convidar. Nesse dia queremos estar com as pessoas que nos dizem muito emocionalmente. Onde quero chegar é que ninguém foi convidado, nem será, a pensar nas prendas.

Depois é complicado responder a isso também porque não precisamos de nada que possamos pedir. Precisávamos de um frigorífico, um colchão e de um microondas. E queríamos uma máquina de café e uma bimby (note-se a diferença entre precisávamos e queríamos). Os pais de um e de outro já disponibilizaram essas coisas. Tanto as que queríamos como as que precisávamos. Pronto. Não sobra nada.

Portanto o que eu gostava de dizer mas não tenho coragem (porque não estou a contar com as prendas, nem quero dar essa ideia, e se dissesse o que quero acho que daria essa ideia) é: não preciso de nenhum electrodoméstico, nenhum móvel, nenhuma louça, nenhum pano. Tenho onde morar com tudo mobilado (vou morar lá provisoriamente mas sem data limite, mas foi o que escolhemos por muitas razões que não só as monetárias), tenho um enchoval cheio de paninhos, toalhas, lençóis, conjuntos de louça, de tachos, de copos, talheres, coisas de banho, tarecos e mais tarecos, tenho de tudo praticamente. Já me ofereceram os electrodomésticos que precisava e que estavam em falta. O que nós queríamos? Conseguir arranjar algum dinheiro para ir de Lua de Mel, porque eu acho que ou se vai logo a seguir, ou nunca mais será lua de mel mesmo, com a mesma emoção, nem que supostamente seja. Ou  receber algum dinheiro para juntar, para daqui a um tempinho dar entrada num empréstimo para comprar o nosso cantinho.

O que escrevo então na minha lista? Lua de mel e dinheiro para um empréstimo? Ridículo.
É por isso que não há listas. Não se usa aqui na zona, não queremos impôr presentes e não temos nada com lógica para lá colocar.

Minha margarida mais que querida, tu és a única que me lês e que me conheces, e isto que escrevi em cima não é para ti. A tua prenda, é vires! Estás tão longe, bem sei que fica caro (muito!) já para não falar das questões do teu trabalho. Tenho esperança que como a nossa data é ali mesmo ao ladinho da Páscoa, que possas vir. A tua prenda é essa, ok? É o TEU bilhete de avião.

4 comentários:

margarida disse...

Do meu presente não tens nada a ver com isso, eu é que sei :p
O que eu quero saber é: tu tens uma bimby?! Conta TUDO!


(eu respondo ao teu mail, mas tenho andado muito cheia de coisas e tenho dores no ombro esquerdo pelo que aproveito alguns minutos livres para não estar ao computador)
MUAH! **

Liana Andra Marques disse...

Tenho bimby e uma dolce gusto piccolo cinzenta ;-D

Mas ainda não usei pela primeira vez nem uma nem outra.

Para já vou me consolando com as delícias que a futura sogra e cunhada fazem nas suas respectivas bimbys. E vou dando também uns toques, mas nas delas. A minha está intocável lol

Liana Andra Marques disse...

Mas já me estou a imaginar a fazer aquelas coisas deliciosas e depois meter aqui fotos só para ser ranhosa loooool

paula disse...

não é fácil falar disto às pessoas, mas faz todo o sentido!

e não és a única, anda aí uma "moda" que talvez pegue e eu acho que faz todo o sentido: os amigos juntarem-se todos e cada um contribui com uma quantia para uma conta comum aberta para o efeito, de forma a oferecer a lua de mel aos noivos. um casal meu amigo recebeu a viagem assim ;)

beijoka